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O governo federal e parte da imprensa comemoraram, na semana passada, que o desmatamento na Amazônia entre os meses de outubro e novembro de 2009 diminuiu 70%, se comparados com o mesmo período do ano anterior. Ao registrar o fato, o senador José Nery (PSOL-PA) opinou que as ações adotadas pelo Ministério do Meio Ambiente, que implicaram na redução do desmatamento, foram uma resposta direta à crescente cobrança dos movimentos sociais da região e de membros do Ministério Público Federal.
Mesmo o fato de ter havido a redução no desmatamento não deve ser motivo de euforia, na avaliação do senador pelo Pará. Ele informou que o estado ao qual representa no Senado continuou sendo o líder de desmatamento na região Norte, respondendo por 40 km², segundo os dados divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente. Nery acrescentou que também é preocupante o fato de entre os 10 municípios mais devastados da região cinco se localizarem em território paraense.
- Na Amazônia vivem e se reproduzem mais de um terço das espécies existentes no planeta. Ela é um gigante tropical de 4,1 milhões de km². Porém, apesar dessa riqueza, o ecossistema local é frágil. A floresta vive do seu próprio material orgânico, em meio a um ambiente úmido com chuvas abundantes. A menor imprudência pode causar danos irreversíveis ao seu equilíbrio delicado. Assim, aclamado como o país de maior diversidade biológica do mundo, o Brasil tem sua riqueza natural sob constante ameaça - afirmou Nery.
As ameaças ao ecossistema brasileiro, enumerou Nery, vão do desmatamento (passando pelas queimadas), conversão de terras para a agricultura (com novos assentamentos sendo feitos em áreas ainda preservadas), além de obras viárias e outros empreendimentos de grande porte (como barragens e usinas) que causam grande impacto ambiental. O senador lamentou que embora o Brasil disponha de uma das mais modernas legislações ambientais do mundo, ela não tem sido suficiente para bloquear a devastação da floresta.
Em aparte, o senador Marco Maciel (DEM-PE) disse que a questão ambiental brasileira continua a preocupar o país. Ele opinou que os números com relação ao meio ambiente não são positivos. Para piorar, completou, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climático (IPCC) da ONU não promoveu avanços, ao contrário, provocou pessimismo e frustrou expectativas.
Roberto Homem / Agência Senado Foto: Agência Senado |